Cidade sem Lei: Camelôs usam ‘gatos’ de energia no Centro de Nilópolis

Que as ligações clandestinas de energia não são um problema exclusivo das invasões e bairros periféricos de Nilópolis, não é segredo. Mas o que nem todos sabem é que, no Centro, em meio a lojas e prédios e com a autorização da Prefeitura, os camelôs se valem da artimanha para ter energia elétrica em seus “estabelecimentos”.

O emaranhado de fios que se estende por quase todo o Centro faz parte da rotina de quem trabalha ou passa por ali e se integram à paisagem. A prática ilegal coloca em risco o funcionamento de todo o sistema e, também, a vida de vendedores, compradores e até os usuários de ônibus.

Enquanto a Light faz uma devassa nas residências e comércios legalizados a regularização das ligações nas mais de mil bancas de camelôs espalhadas pela cidade ainda é uma realidade distante. Lembrando que a própria prefeitura acaba incentivando a prática criminosa ao não solicitar a instalação de relógios medidores. “Infelizmente a prefeitura é conivente com esse crime. O que mais se vê é ligação clandestina e tudo isso autorizado e incentivado pelo poder executivo”, disse um comerciante que não quis se identificar e diz gastar pelo menos R$ 1.200 em energia elétrica todo mês. “Gasto esse valor todo mês mas em frente a minha loja tem pelo menos cinco barracas de camelôs que roubam energia do poste”, completa.

Outro comerciante se diz revoltado com a situação. Segundo ele, nos últimos dois anos só na área central do município pelo menos 300 bancas foram instaladas, o que agravou o problema. “Para ter energia eles fazem gato. Conta-se nos dedos os camelôs que possuem relógios medidores”, disse.

Em alguns postes da região Central, que inclui o Calçadão da Avenida Mirandela, o abuso chega ao ponto de se improvisar um “gato público”. Esse tipo de ligação clandestina chama a atenção diante das demais pela ousadia de quem a faz. Trata-se de uma tomada improvisada com fios e madeira, conectada, de forma irregular, à fiação da rede pública e amarrada no próprio poste de energia, onde os ambulantes ligam aparelhos eletrônicos, como televisores, ventiladores e jogos eletrônicos. “A gente improvisou essa tomada pra ficar mais fácil de ligar e desligar o aparelho, sem mexer no gato”, contou um ambulante, que não quis se identificar.

Sem controle

O que se vê hoje em Nilópolis é uma cidade sem controle, com cada vez mais estabelecimentos irregulares e ambulantes tomando conta dos espaços públicos. Uma verdadeira bagunça, onde até mesmo quem decide onde ficam as bancas de camelôs são vereadores. “Aqui quem manda são os vereadores, o prefeito manda tirar e a gente vai no “padrinho” e ele manda a gente voltar”, disse um camelô.

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